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Simulador 01Estrutura físicaLeitura de 8 min

Necessidade de Consultórios

Quantas salas a operação precisa para atender a carteira atual, a fila de espera e um eventual contrato de rede credenciada.

Bloco 1

Por que este simulador existe

Quase toda decisão de expansão em clínica começa com um número estimado no olho. Alguém olha a agenda cheia, sente a pressão da fila e conclui que faltam salas. O problema é que agenda cheia e capacidade esgotada são coisas diferentes — uma agenda pode estar cheia às terças de manhã e vazia às quintas à tarde, e mesmo assim parecer lotada para quem atende o telefone.

O erro custa caro nos dois sentidos, e de formas assimétricas. Uma sala a mais é aluguel, IPTU, energia, limpeza e mobiliário parados todo mês — um custo fixo que entra na conta antes do primeiro atendimento. Uma sala a menos é fila de espera que não anda, paciente que desiste, e, quando há contrato com operadora, cláusula de suficiência descumprida. O primeiro erro sangra devagar; o segundo aparece de uma vez, na renovação do contrato.

Este simulador existe para transformar essa conversa em aritmética. Ele parte da demanda real — pacientes ativos, fila e sessões por paciente — e devolve quantas salas são necessárias, quantas você tem, e qual é a diferença entre as duas coisas.

Bloco 2

O que ele responde — e o que não responde

Responde

  • Quantas salas a demanda atual exige, considerando fila de espera
  • Quantas sessões cada sala consegue absorver por mês no seu horário de funcionamento
  • Se a estrutura de hoje está sobrando, no limite ou insuficiente
  • Quantas salas adicionais seriam consumidas ao assumir uma carteira de rede credenciada

Não responde

Saber o limite da ferramenta é o que impede conclusão errada. Cada item abaixo tem o seu lugar certo.

Se a clínica tem caixa para bancar as salas novasSimulador 7 — Ponto de Equilíbrio Operacional
Quantos profissionais são necessários para ocupar essas salasSimulador 3 — Dimensionamento de Profissionais
Se as salas que você já tem estão sendo bem aproveitadasSimulador 4 — ICH por Especialidade

Bloco 3

A conta por trás

Salas necessárias = (Pacientes + Fila) × Sessões/mês ÷ Capacidade da sala

onde Capacidade da sala = Horas do mês × Taxa de ocupação × 60 ÷ Tempo de sessão

Horas do mês
Horas de funcionamento por dia × dias úteis, somadas às horas de sábado × sábados no mês.
Taxa de ocupação
Percentual do tempo em que a sala está de fato produzindo. Nunca é 100%: há troca de paciente, higienização, atraso e buraco de agenda.
Tempo de sessão
Minutos que o paciente ocupa a sala, não a duração contratual do atendimento. Se a sessão é de 40 min mas a sala só libera em 50, o número é 50.

Bloco 4

Como usar na prática

01

Pacientes ativos e fila vêm de lugares diferentes

Paciente ativo é quem tem atendimento nos últimos 30 dias, não quem está cadastrado. Puxe do sistema com filtro de data — cadastro acumula paciente que saiu há dois anos e infla a conta. A fila (backlog) vem da lista de espera ou das autorizações emitidas e ainda não agendadas.

02

Sessões por paciente por mês muda tudo

É o multiplicador mais sensível do modelo. Em reabilitação intensiva para TEA, 12 a 20 sessões/mês por paciente é comum. Em acompanhamento de manutenção, 2 a 4. Se a sua carteira mistura perfis, rode o simulador uma vez para cada perfil e some as salas — a média esconde a diferença.

03

Taxa de ocupação realista fica entre 75% e 85%

Colocar 100% produz um número de salas bonito e falso. Entre uma sessão e outra existe troca de paciente, limpeza, atraso, e o buraco que sobra quando alguém falta em cima da hora. Operações muito bem geridas chegam a 85%. Comece em 80% e ajuste depois de medir.

04

Leia o saldo, não só o total

O número que decide é o saldo — salas que você tem menos salas de que precisa. Saldo acima de +2 é folga real. Entre 0 e +2 é o limite: qualquer crescimento de carteira vira fila. Negativo significa que você já está represando demanda hoje, mesmo que a agenda pareça funcionar.

Bloco 5

Exercício de aquecimento

A Clínica Aurora atende reabilitação intensiva. Funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h, com 22 dias úteis no mês e sem atendimento aos sábados. Hoje opera com 8 consultórios.

Dados

Pacientes ativos180
Fila de espera40
Sessões por paciente/mês12
Tempo de sessão40 min
Taxa de ocupação80%
Consultórios hoje8

Quantas salas a Aurora precisa, e o que o saldo diz sobre a decisão de expandir?

Rode no simulador antes de abrir a respostaver gabarito

9 salas (8,33 exatas) — saldo de −0,33. A fila é o que joga a Aurora no vermelho.

Memória de cálculo

  1. 1.Horas por mês em cada sala: 12 horas por dia × 22 dias = 264 horas.
  2. 2.Capacidade da sala: 264 h × 80% × 60 min ÷ 40 min = 316,8 sessões/mês.
  3. 3.Demanda total: (180 + 40) × 12 = 2.640 sessões/mês.
  4. 4.Salas necessárias: 2.640 ÷ 316,8 = 8,33 salas. Como sala é recurso indivisível, o simulador arredonda para 9.
  5. 5.Saldo: 8 − 8,33 = −0,33 sala. Negativo, ainda que por pouco.
  6. 6.Leitura de gestão: a Aurora não está confortável. Sem a fila, ela caberia em 6,8 salas e teria folga. É a fila que a coloca no vermelho — ou seja, o problema não é a estrutura de hoje, é a decisão de absorver ou não os 40 pacientes parados.

Bloco 6

Aplicação com os seus dados

  1. 1Extraia do seu sistema a lista de pacientes com pelo menos um atendimento nos últimos 30 dias. Esse é o número de pacientes ativos — não use o cadastro total.
  2. 2Levante a fila: autorizações emitidas sem agendamento, mais a lista de espera formal, sem duplicar quem está nas duas.
  3. 3Calcule as sessões por paciente/mês dividindo o total de atendimentos do mês pelo número de pacientes ativos. Se o resultado destoar do que você imaginava, esse já é um achado.
  4. 4Meça o tempo real de ocupação da sala em um dia comum: do momento em que o paciente entra até a sala estar pronta para o próximo. Costuma ser maior que a duração nominal da sessão.
  5. 5Rode o simulador com taxa de ocupação de 80%. Depois rode com 70% e com 85% para ver a sensibilidade do resultado.
  6. 6Compare o saldo com a sua percepção. Se a agenda parece cheia mas o saldo é positivo, o problema não é falta de sala — é distribuição de horário, e isso se resolve no Mapa de Sala da Central de Inteligência.

O que você leva para a reunião

Uma frase defensável em reunião: “Precisamos de X salas para a carteira atual mais a fila; temos Y; o gap é Z — e ele aparece porque [motivo].”

Bloco 7

Erros que aparecem sempre

Usar o total de pacientes cadastrados

Cadastro nunca é limpo. Paciente que fez três sessões em 2023 continua lá. Isso pode inflar a necessidade de salas em 30% ou mais.

Esquecer a fila de espera

A conta fica exata para a operação de hoje e inútil para a decisão de amanhã. Você dimensiona para o que já atende e a fila continua parada.

Rodar com taxa de ocupação de 95% ou 100%

Gera uma necessidade de salas menor que a real. Na prática a operação satura antes, e a fila reaparece poucos meses depois da expansão.

Tratar o resultado fracionado como se fosse arredondável para baixo

6,3 salas não são 6. São 7, com a sétima subocupada. Sala é recurso indivisível — o simulador arredonda para cima justamente por isso.

Agora é rodar com os seus números.

O manual explica. O simulador calcula. O treinamento fixa. Os três foram feitos para serem usados na mesma sessão de trabalho.