Painel de Bordo TEA — Gestão de Operadora
Gestão do programa TEA na visão de quem paga: onde está a carteira, quanto ela custa, o que a estrutura comporta e qual risco regulatório cada decisão gera.
Bloco 1
Por que este simulador existe
Uma operadora não tem um problema de TEA: tem um por praça. Estados com a mesma quantidade de pacientes podem apresentar custo por paciente com o dobro de diferença, e a razão quase sempre está na proporção atendida em rede credenciada — informação que raramente aparece na mesma tela que o custo.
O material executivo típico resolve isso com um deck remontado a cada ciclo, onde cada assunto vive num slide separado. O efeito colateral é previsível: vagas congeladas por orçamento aparecem num slide, e o pico de notificações por ruptura de agenda aparece em outro, com a relação entre os dois escrita em texto e nunca somada. A economia é registrada, o custo que ela gerou não.
Este portal existe para transformar o ritual de reunião em interface. Vinte e um painéis, agrupados nas três fases de ler, conduzir e responder, cada um com dono definido e com a armadilha de leitura escrita ao lado do número. A diferença em relação a um painel de clínica é a pergunta de fundo: na clínica pergunta-se se estamos aproveitando o que já pagamos; na operadora, se o que deixamos de gastar está custando mais caro em outro lugar.
Bloco 2
O que ele responde — e o que não responde
Responde
- Onde está a carteira e quanto custa cada paciente, praça por praça
- Qual dos três fatores do custo per capita puxou a alta, e portanto quem precisa agir
- Se internalizar compensa naquele volume, com custo por sessão realizada dos dois lados
- Quanta capacidade se perde por vaga aberta, e se o mercado local comporta o preenchimento
- Quanto da estrutura instalada está ociosa, decomposta por causa e por responsável
- Qual o risco regulatório de cada decisão de economia
Não responde
Saber o limite da ferramenta é o que impede conclusão errada. Cada item abaixo tem o seu lugar certo.
Bloco 3
A conta por trás
Custo PMPM = Prevalência × Sessões por beneficiário × Custo por sessão
os três fatores podem ser indexados a 100 no início da série — o produto dos índices reproduz o índice do custo total
- PMPM
- Per member per month. O denominador é a carteira inteira, não apenas os pacientes do programa. É a unidade do atuarial: quanto cada beneficiário carrega daquele programa no preço que paga.
- Custo por paciente
- O mesmo montante dividido apenas por quem usa. É a unidade da negociação com a rede. Apresentar um sem o outro permite escolher a versão que sustenta a tese de quem fala.
- Volume de virada
- Custo fixo dividido pela diferença entre a tabela do credenciado e o custo variável próprio. Abaixo dele a estrutura fica ociosa; acima, cada sessão adicional na rede própria custa quase nada.
Bloco 4
Como usar na prática
Comece pela pauta, não pelos gráficos
O primeiro painel é o ritual: onze blocos na mesma ordem, cada um com dono. O valor do portal não está em produzir o número — está em não deixar de olhar para ele, sempre na mesma sequência. Um portal navegado por curiosidade vira coleção de gráficos.
Nunca leia um indicador de economia sem o de risco ao lado
Recusa, negativa e auditoria produzem números em reais, e por isso convencem. Mas em condição com cobertura garantida por resolução e jurisprudência consolidada, economia fundamentada em suspeição vira passivo judicial. As duas colunas foram desenhadas para aparecer juntas.
Normalize antes de ranquear
Notificação, custo e volume de fila em números absolutos apontam sempre para as praças grandes — que não são as piores, apenas as maiores. Notificação por mil vidas, custo por beneficiário e fila sobre carteira ativa invertem rankings inteiros e mudam onde a gestão age.
Trate os dados como ilustrativos até substituí-los
O portal foi publicado com números de referência, marcados como tal na barra superior. Eles servem para demonstrar a estrutura e a ordem de grandeza. Ao carregar dados reais, revise primeiro os parâmetros de capacidade — horas de funcionamento, tempo de sessão e taxa de ocupação — porque quase todo o resto deriva deles.
Bloco 5
Exercício de aquecimento
Uma operadora fecha o trimestre com custo per capita 21% acima do anterior. A diretoria convoca rede, governança clínica e comercial. Cada área apresenta uma versão, e a reunião não conclui nada. Os dados disponíveis são estes.
Dados
Qual área deve conduzir a ação corretiva — e por quê?
Rode no simulador antes de abrir a respostaver gabarito
Nenhuma das três, no curto prazo. Quase metade da alta veio de prevalência, que é movimento de carteira.
Memória de cálculo
- 1.PMPM antes: 0,00074 × 15,4 × 70,00 = R$ 0,798 por vida.
- 2.PMPM depois: 0,00080 × 16,1 × 72,40 = R$ 0,933 por vida. Alta de 16,9%.
- 3.Contribuição da prevalência: (0,00080 − 0,00074) × 15,4 × 70,00 = R$ 0,065 — cerca de 48% da alta.
- 4.Contribuição da intensidade: 0,00080 × (16,1 − 15,4) × 70,00 = R$ 0,039 — cerca de 29%.
- 5.Contribuição do preço: 0,00080 × 16,1 × (72,40 − 70,00) = R$ 0,031 — cerca de 23%.
- 6.Leitura de gestão: prevalência crescente pode ser diagnóstico chegando a quem antes não acessava, e nesse caso não há o que corrigir — há o que planejar. A pergunta correta deixa de ser quem errou e passa a ser quanto tempo resta até a estrutura não comportar.
Bloco 6
Aplicação com os seus dados
- 1Levante o custo total do programa no último mês fechado, separando rede própria de credenciada, e divida por vidas e por pacientes — os dois números, sempre juntos.
- 2Monte a série dos três fatores por pelo menos doze meses e indexe cada um a 100 no primeiro mês. O que descolar é o motor da alta.
- 3Para cada praça, levante pacientes na credenciada e a diferença de custo por paciente. O produto dos dois é o gap capturável, e é ele que ordena a prioridade de internalização.
- 4Some a capacidade perdida por vagas abertas e compare com a fila de espera. Se a primeira superar a segunda, o quadro completo resolve o backlog sem obra.
- 5Cruze o quadro próprio com os inscritos no conselho de classe de cada praça para saber se o preenchimento é viável antes de aprovar a contratação.
- 6Verifique a ocupação da agenda de triagem antes de usar o número de entrantes em qualquer projeção.
O que você leva para a reunião
Uma pauta de reunião com dono por bloco, em que cada número de economia aparece ao lado do risco que gerou, e cada ranking está normalizado pela base correta.
Bloco 7
Erros que aparecem sempre
Misturar PMPM e custo por paciente na mesma frase
Um parece irrelevante e o outro insustentável, e ambos são o mesmo montante. É a confusão que mais rapidamente esvazia uma discussão de custo.
Usar a intensidade prescrita para calcular custo
O modelo intensivo prevê muito mais sessões do que a carteira efetivamente realiza. Calcular custo pela prescrita infla o orçamento em cerca de três vezes; dimensionar estrutura pela realizada subdimensiona na mesma proporção.
Comparar folha própria com tabela de credenciado
São naturezas de custo opostas. Rede própria é fixa e sofre com absenteísmo; credenciado é variável e é indiferente a ele. A comparação precisa ser por sessão realizada, com rateio de estrutura incluído.
Ler laudo de origem externa como irregularidade
É sintoma de acesso, não prova de nada. A correção é ampliar agenda e aproximar o emissor da equipe. Negativa fundamentada em suspeição é o caminho mais curto para judicialização.
Contar novos entrantes sem olhar a ocupação da triagem
Com a agenda saturada, o número mede a própria capacidade e não a demanda. Fica plano, sugere acomodação da procura, e a fila cresce do lado de fora sem aparecer em lugar nenhum.
Agora é rodar com os seus números.
O manual explica. O simulador calcula. O treinamento fixa. Os três foram feitos para serem usados na mesma sessão de trabalho.