ICH por Especialidade
Quanto da hora paga vira atendimento, especialidade por especialidade — e quanta capacidade existe escondida antes de contratar mais gente.
Bloco 1
Por que este simulador existe
Quando a fila cresce, o pedido que chega à diretoria é quase sempre o mesmo: precisamos contratar. O pedido é sincero e costuma estar errado. Na maior parte das operações assistenciais existe capacidade ociosa dentro das horas que já estão sendo pagas — horas de profissional com agenda mal montada, bloqueio que ninguém revisou, janela que nunca foi preenchida.
O ICH — Índice de Consulta por Hora — é a medida que separa as duas situações. Ele responde quantos atendimentos acontecem por hora disponível de profissional. Comparado com o ICH teórico (o máximo que caberia naquela hora, dado o tempo de sessão), ele revela o aproveitamento: o percentual da hora paga que virou assistência.
A consequência prática é direta. Uma equipe com 70% de aproveitamento tem quase um terço da folha comprando tempo que não vira atendimento. Contratar nesse cenário multiplica o desperdício em vez de resolver a fila. Recuperar dez pontos de aproveitamento costuma ser mais rápido, mais barato e mais reversível do que uma contratação.
Bloco 2
O que ele responde — e o que não responde
Responde
- Quantos atendimentos cada especialidade entrega por hora disponível
- Qual o teto teórico de cada especialidade, dado o tempo de sessão praticado
- O percentual de aproveitamento da hora contratada, por especialidade
- Onde está a capacidade oculta — qual especialidade tem mais folga antes de precisar contratar
Não responde
Saber o limite da ferramenta é o que impede conclusão errada. Cada item abaixo tem o seu lugar certo.
Bloco 3
A conta por trás
Aproveitamento = ICH realizado ÷ ICH ideal
ICH realizado = Atendimentos ÷ Horas disponíveis · ICH ideal = 60 ÷ Tempo de atendimento
- Horas disponíveis
- Profissionais × horas por dia × dias no período. É aqui que mora o erro mais comum do indicador — veja a seção de armadilhas.
- ICH ideal
- O máximo teórico. Com sessão de 60 minutos, o ideal é 1,0. Com 30 minutos, é 2,0. Não é meta: é o teto físico.
- Aproveitamento
- O quanto do teto foi atingido. Abaixo de 85% há capacidade ociosa; acima de 100% a duração declarada não confere com a praticada.
Bloco 4
Como usar na prática
Decida qual hora você está medindo — e seja honesto
Existem três horas diferentes: a hora contratada, a hora com agenda montada e a hora efetivamente trabalhada. Medir contra a agenda montada mostra se a agenda foi bem preenchida. Medir contra a hora contratada mostra se você está pagando por tempo que nunca virou agenda. A segunda dói mais e é a que a diretoria precisa ver.
Rode por especialidade, nunca só o consolidado
A média da clínica esconde o que interessa. Uma operação com aproveitamento geral de 88% pode ter fonoaudiologia a 96% e terapia ocupacional a 62% — e a decisão de contratação é completamente diferente em cada caso. O simulador foi construído linha a linha por isso.
Ajuste as faixas ao seu contrato
Os limites inferior e superior são configuráveis porque a realidade contratual varia. Uma operação com alta proporção de liminares judiciais convive com absenteísmo estruturalmente maior, e cobrar dela a mesma régua de uma carteira particular produz alarme falso todo mês.
Aproveitamento acima de 100% é alerta, não elogio
Significa que couberam mais atendimentos do que o tempo de sessão declarado permite. Ou a sessão real é mais curta que a informada — e isso é uma questão assistencial e possivelmente contratual — ou o registro de horas está incompleto. Nos dois casos, o número pede auditoria antes de virar meta.
Bloco 5
Exercício de aquecimento
A equipe de fonoaudiologia de uma unidade tem 4 profissionais, cada um com 6 horas por dia, ao longo de 22 dias úteis. No mês, realizaram 880 atendimentos. A sessão praticada é de 40 minutos.
Dados
Qual o aproveitamento da equipe, e quantos atendimentos estão sendo perdidos por mês?
Rode no simulador antes de abrir a respostaver gabarito
111% de aproveitamento — o número pede auditoria, não comemoração.
Memória de cálculo
- 1.Horas disponíveis: 4 profissionais × 6 h × 22 dias = 528 horas.
- 2.ICH realizado: 880 ÷ 528 = 1,67 atendimentos por hora.
- 3.ICH ideal: 60 ÷ 40 = 1,50 atendimentos por hora.
- 4.Aproveitamento: 1,67 ÷ 1,50 = 111%.
- 5.Leitura de gestão: passar de 100% é fisicamente impossível se a sessão realmente durar 40 minutos. Ou as sessões estão saindo em torno de 36 minutos, ou parte das horas trabalhadas não foi registrada. Antes de celebrar produtividade, é preciso descobrir qual das duas — a primeira hipótese tem implicação assistencial e contratual.
Bloco 6
Aplicação com os seus dados
- 1Escolha o mês fechado mais recente e liste todas as especialidades da unidade.
- 2Para cada uma, levante o número de atendimentos realizados — apenas os efetivamente executados, sem faltas e sem cancelados.
- 3Levante as horas contratadas de cada especialidade a partir da folha ou dos contratos, não da agenda. Anote também as horas com agenda montada, em uma coluna separada.
- 4Rode o simulador duas vezes: uma com horas contratadas, outra com horas de agenda. A diferença entre os dois aproveitamentos é a sua capacidade oculta antes mesmo de falar em ocupação.
- 5Ordene as especialidades por aproveitamento crescente. As três primeiras são onde a próxima ação de gestão tem maior retorno.
- 6Para a especialidade de pior desempenho, abra o heatmap da Central de Inteligência e identifique os blocos de horário vazios antes de propor qualquer contratação.
O que você leva para a reunião
Um quadro por especialidade com aproveitamento contratado, aproveitamento de agenda e a diferença entre os dois — que é, em uma linha, o tamanho da capacidade que você já paga e não usa.
Bloco 7
Erros que aparecem sempre
Usar horas de agenda montada e apresentar como hora contratada
Produz um aproveitamento otimista que esconde exatamente o desperdício que você está procurando. Um profissional de 30h com agenda montada em 18h aparece com ótimo ICH enquanto 12 horas pagas somem da conta.
Comparar ICH entre especialidades com tempos de sessão diferentes
Uma especialidade de sessão curta sempre terá ICH maior. A comparação justa é entre percentuais de aproveitamento, nunca entre ICHs brutos.
Tratar ICH baixo como problema de esforço da equipe
Na maioria dos casos a causa é estrutural: agenda mal montada, bloqueio esquecido, encaixe que não acontece. Levar o número como cobrança individual queima a credibilidade do indicador.
Medir um período curto demais
Uma semana com feriado ou surto de virose distorce tudo. Use mês fechado, e prefira três meses quando a decisão for de contratação.
Agora é rodar com os seus números.
O manual explica. O simulador calcula. O treinamento fixa. Os três foram feitos para serem usados na mesma sessão de trabalho.