Esta apostila foi criada para quem quer aprender gestão de clínicas TEA de verdade — não só ler conceitos, mas praticar com as ferramentas reais enquanto estuda.
📖 Estrutura de cada módulo
Conceito
O que é, por que importa e como se encaixa na operação
Definições
Termos técnicos explicados com linguagem direta
Exercício Guiado
Cenário real → instruções campo a campo no simulador
Gabarito
Respostas esperadas para conferir o resultado no simulador
Como aproveitar melhor:
Leia o conceito e as definições antes de abrir o simulador
Abra o simulador pedido em uma aba nova do navegador
Siga as instruções do exercício guiado passo a passo — não pule etapas
Compare seu resultado com o gabarito antes de avançar
Se o resultado for diferente, revise o campo que divergiu — o gabarito indica qual
Módulo 1 · Conceito
Capacidade de Atendimento e Necessidade de Salas
O que é capacidade de atendimento?
Capacidade de atendimento é o número máximo de sessões que uma sala pode absorver em um mês,
dado o horário de funcionamento da clínica, o tempo médio de cada sessão e o fator de ocupação real.
Em gestão de clínicas TEA, calcular a capacidade corretamente é o ponto de partida para qualquer
decisão estrutural: quantas salas alugar, quantos profissionais contratar, se a demanda reprimida pode
ser absorvida ou se precisa de expansão.
Lei 39 — Método Soma
"Antes de ampliar recursos, revele a capacidade oculta da operação."
Definições essenciais
Capacidade por sala/mês: total de sessões que uma sala pode receber. Fórmula: (horas_dia × dias_úteis + horas_sábado × sábados) × fator_ocupação × 60 ÷ tempo_sessão_min
Fator de ocupação: percentual do tempo disponível que realmente será usado (padrão: 85–90%). Desconta imprevistos, intervalos entre sessões e tempo de transição.
TMA — Tempo Médio de Atendimento: duração padrão de cada sessão. Varia por região: 40 min no Norte/Nordeste, 50 min em São Paulo.
Backlog: pacientes na fila de espera, que já solicitaram atendimento mas ainda não têm vaga. Deve ser incluído no cálculo TO BE.
AS IS vs TO BE: AS IS = situação atual (quantas salas existem vs quantas são necessárias para os pacientes ativos). TO BE = situação futura necessária (incluindo backlog).
Saldo de salas: diferença entre salas existentes e salas necessárias. Positivo = sobra; negativo = déficit.
⚠ Erros mais comuns
Calcular só pelos pacientes ativos e ignorar o backlog
Usar fator de ocupação 100% — não existe operação sem imprevistos
Ignorar os sábados quando a clínica efetivamente funciona nesse dia
Confundir "salas disponíveis" com "salas utilizadas" — uma sala mal agendada pode ter 0% de uso
Módulo 1 · Exercício Guiado
Simulador 1 — Necessidade de Consultórios
📋 Cenário — Clínica Esperança (Fortaleza, CE)
A coordenadora da Clínica Esperança está revisando a capacidade instalada.
A clínica atende 180 pacientes ativos com 12 sessões mensais cada (padrão Nordeste).
Há 40 pacientes na lista de espera (backlog). A clínica funciona de segunda a sexta,
das 7h às 19h (12 horas/dia), 22 dias úteis no mês, mais 4 sábados de 6h cada.
O fator de ocupação adotado é 90% e o tempo de sessão é 40 minutos.
A clínica tem 8 salas atualmente.
Pergunta: As 8 salas são suficientes para absorver os pacientes ativos + backlog?
Abra o simulador na aba ao lado e volte aqui para seguir as instruções campo a campo.
1
Campo Pacientes ativos Digite 180 — são os pacientes que já estão em atendimento.
2
Campo Backlog (fila de espera) Digite 40 — são os pacientes aguardando vaga. Incluir aqui garante o cálculo TO BE.
3
Campo Rede credenciada Deixe 0 — não há pacientes em clínicas externas neste cenário.
4
Campo Sessões/mês por paciente Selecione 12 sessões/mês (Norte/Nordeste) — padrão da região.
5
Campos de horário: Abertura e Fechamento Abertura: 7 · Fechamento: 19 → o simulador calculará 12 horas úteis por dia.
6
Campo Dias úteis/mês (Seg–Sex) Digite 22.
7
Campos de sábado: Sábados/mês e Horas Sábados: 4 · Horas: 6
8
Campo Tempo de sessão Selecione 40 min (Norte/Nordeste TEA).
9
Campo Taxa de ocupação (%) Digite 90.
10
Campo Consultórios em operação hoje (AS IS) Digite 8 — as salas atualmente disponíveis.
✅ Após preencher todos os campos, observe o painel à direita. O simulador mostrará:
Capacidade por sala/mês · Salas necessárias · Saldo · Status.
Anote os valores e compare com o gabarito abaixo.
Módulo 1 · Gabarito
Respostas esperadas — Clínica Esperança
Compare os valores que você obteve no simulador com os resultados abaixo. Se algum divergir, volte ao campo indicado e revise o preenchimento.
🔍 Clique para revelar o gabarito completo▼
Horas úteis totais/sala/mês288 h
Capacidade por sala/mês (com 90% ocup., 40 min)388 sessões
Total de pacientes (ativos + backlog)220 pac.
Sessões necessárias/mês (220 × 12)2.640 sess.
Salas necessárias — TO BE (2.640 ÷ 388)7 salas
Capacidade total das 8 salas atuais3.110 sess./mês
Saldo de salas (8 existentes − 7 necessárias)+1 sala
Status🟡 No limite
Interpretação correta: As 8 salas cobrem os 220 pacientes com saldo de +1 sala —
mas com margem pequena. Se o absenteísmo cair (o que é desejável), mais sessões serão efetivadas
e a capacidade será pressionada. O gestor deve monitorar mensalmente.
Se o seu resultado foi diferente, verifique:
· Sábados = 4 e horas = 6? · TMA = 40 min selecionado? · Ocupação = 90 (não 0,9)? · Backlog = 40?
Módulo 2 · Conceito
ICH — Índice de Consulta por Hora
O que é ICH?
ICH é o número de sessões realizadas por hora de jornada disponível de um profissional.
É o principal indicador de produtividade clínica em serviços terapêuticos.
Um ICH de 1,5 significa que, a cada hora de jornada, o profissional realiza 1,5 sessão —
ou seja, uma sessão a cada 40 minutos, sem intervalos ociosos relevantes.
Um ICH de 0,9 significa ~1 sessão a cada 67 minutos: há 27 minutos de ociosidade por sessão.
0,7
Crítico — investigar
0,9
Médio real TEA
1,5
Meta TEA
Definições essenciais
Fórmula do ICH:sessões_realizadas ÷ horas_disponíveis
Horas disponíveis: total de horas que o profissional estava escalado para atender — independente do que foi agendado.
Sessões realizadas: apenas as que de fato ocorreram (presença confirmada do paciente). Sessões canceladas ou com ausência NÃO entram.
ICH por especialidade: calculado separadamente para Fonoaudiologia TEA, TO TEA, Psicologia TEA etc. Perfis diferentes têm absenteísmo e agendamento distintos.
Meta TEA: 1,5 sess/hora (equivale a sessões de 40 min sem ociosidade). Para SP com 50 min: meta de 1,2.
Módulo 2 · Exercício Guiado
Simulador 4 — ICH por Especialidade
📋 Cenário — Análise de Produtividade (Fortaleza, CE)
O RT da mesma Clínica Esperança quer analisar o ICH por especialidade no mês de junho.
Os dados do sistema mostram:
Fonoaudiologia TEA
4 profissionais · 7h/dia · 22 dias
1.540 sessões realizadas no mês
Terapia Ocupacional TEA
3 profissionais · 7h/dia · 22 dias
990 sessões realizadas no mês
Psicologia TEA
3 profissionais · 7h/dia · 22 dias
1.040 sessões realizadas no mês
Pergunta: Qual o ICH de cada especialidade e qual está abaixo da meta de 1,5?
Interpretação: Todas as especialidades estão acima da meta de 1,5 neste cenário.
Isso pode indicar sessões de duração menor que 40 min sendo realizadas, ou profissionais com agendas muito densas.
Vale verificar se a qualidade clínica está sendo mantida nesse ritmo.
Módulo 3 · Conceito
Ponto de Equilíbrio Operacional
O que é Ponto de Equilíbrio?
O Ponto de Equilíbrio (PE) é o volume mínimo de pacientes ou sessões que a clínica precisa atender para cobrir todos os seus custos fixos — sem lucro, sem prejuízo. Abaixo do PE, a clínica opera no vermelho. Acima, gera margem.
Em clínicas TEA, o PE costuma ser expresso em número de pacientes ativos ou em receita mínima mensal. É o primeiro número que qualquer gestor precisa conhecer antes de abrir ou expandir uma unidade.
Lei 35 — Método Soma
"Nenhuma boa intenção sobrevive a um modelo insustentável."
Definições
Custos Fixos (CF): custos que existem independente do volume atendido. Aluguel, salários, sistemas, coordenador, portaria — todos são fixos.
Margem de Contribuição (MC): quanto cada paciente/sessão contribui para cobrir os custos fixos. Fórmula: Receita_por_paciente − Custo_variável_por_paciente
Ponto de Equilíbrio em pacientes:CF_total ÷ MC_por_paciente
Margem EBITDA: percentual do faturamento que sobra após os custos operacionais. Referência TEA: 15–20%.
Custo variável TEA: em clínicas TEA, o custo variável por sessão é baixo (material clínico). O maior peso é o custo fixo de pessoal.
Módulo 3 · Exercício Guiado
Simulador 7 — Ponto de Equilíbrio
📋 Cenário — Clínica Esperança (mês 6)
A direção da Clínica Esperança quer saber o ponto de equilíbrio. Os custos fixos mensais são:
Ticket médio por paciente/mês: R$ 1.500 · Custo variável por paciente: R$ 120 Pergunta: Quantos pacientes são necessários para cobrir os custos? Qual o PE?
Outros custos fixos Pró-labore: 8000 ·
Energia / Água / Internet: 4500 ·
Material clínico: 3200 ·
Sistemas / Tecnologia: 2800 ·
Marketing: 2000
4
Receita e variável Ticket médio por paciente: 1500 ·
Custo variável por paciente: 120
✅ Anote: Total de custos fixos · PE em pacientes · PE em receita. Compare com o gabarito.
Módulo 3 · Gabarito
Respostas esperadas — Ponto de Equilíbrio
🔍 Clique para revelar o gabarito▼
Total de custos fixos mensaisR$ 59.620
Margem de contribuição por paciente (R$1.500 − R$120)R$ 1.380
PE — Ponto de Equilíbrio em pacientes (R$59.620 ÷ R$1.380)44 pacientes
PE em receita (44 × R$1.500)R$ 66.000/mês
Com 180 pacientes ativos: receita = R$270.000+R$190.980 acima do PE
Interpretação: Com 44 pacientes a clínica já cobre todos os custos. Com 180 ativos,
a margem de segurança é altíssima. Mas lembre: esse cálculo não inclui os terapeutas — que são
o maior custo e estão no Sim 3 (Dimensionamento) e no Sim 9 (Mestre).
Módulo 4 · Conceito
Análise de Viabilidade — CAPEX, EBITDA, ROI e Payback
O que é análise de viabilidade?
Viabilidade é a resposta para a pergunta: "Vale a pena investir nessa clínica?".
Ela integra tudo: demanda esperada, capacidade instalada, equipe dimensionada, custos de implantação
e projeção financeira de médio prazo.
O Simulador 9 (Mestre) é a ferramenta que consolida todos os outros simuladores em uma análise única,
com Score de Viabilidade (0–100) e diagnóstico pelo Ciclo SOMA.
Definições
CAPEX: Capital Expenditure — investimento inicial para abrir a clínica (obra, móveis, equipamentos, TI, reforma). Pago uma vez.
EBITDA: Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization — lucro operacional antes de impostos e depreciação. Mede a eficiência da operação. Meta TEA: ≥15%.
ROI: Return on Investment — retorno do investimento inicial em percentual. ROI de 20% significa que o investimento gera 20% de retorno anual.
Payback: tempo para recuperar o investimento inicial. Payback de 18 meses = a clínica "paga" o CAPEX em 1,5 anos.
Score Soma: pontuação de 0 a 100 que avalia 4 critérios: EBITDA positivo, Payback <24 meses, ROI >15% e Capacidade ≥ Demanda. 75–100 = viável; 50–74 = atenção; <50 = revisar.
Módulo 4 · Exercício Guiado
Simulador 9 — Mestre de Viabilidade Soma
📋 Cenário — Nova Unidade em Natal, RN
Um grupo de saúde está avaliando abrir uma clínica TEA em Natal. Os dados levantados são:
Parabéns — você concluiu os 4 módulos da apostila!
Se todos os gabaritos conferiram, você está preparado para usar os simuladores de forma autônoma
em situações reais de gestão de clínicas TEA.
ABA (Applied Behavior Analysis): metodologia de intervenção comportamental amplamente utilizada no tratamento TEA. Dividida em Analista ABA (supervisão) e Aplicador ABA (execução direta).
Alta em TEA: não é cura — é mudança de fase. Redução gradual das intervenções quando o paciente atinge estabilidade funcional. Exige reavaliação contínua.
Backlog: fila de pacientes aguardando vaga. Deve ser monitorado separadamente dos ativos.
Denver / ESDM: modelo de intervenção precoce para crianças com TEA até 5 anos.
EBITDA: lucro operacional antes de impostos e depreciação. Meta TEA: ≥15%.
ICH: Índice de Consulta/Hora. Produtividade clínica. Meta TEA: 1,5 sess/hora.
IS (Integração Sensorial): especialidade e espaço físico específico. Sala IS é requisito mínimo estrutural TEA.
NIP: Notificação de Incidente/Problema. Reclamação formal. Meta: ≤0,30% dos atendimentos.
NPS: Net Promoter Score adaptado. Satisfação das famílias. Meta: ≥4,5 (em 5,0).
PECS: Picture Exchange Communication System. Sistema de comunicação aumentativa e alternativa.
Nível de suporte (1, 2, 3): classificação do DSM-5 para TEA. Nível 1 = menos suporte necessário; Nível 3 = suporte muito substancial. Impacta diretamente a intensidade do tratamento.
Plano terapêutico: documento com objetivos, metas e intervenções definidas para cada paciente. Deve ser atualizado periodicamente pelo RT e equipe.
RT (Responsável Técnico): profissional habilitado legalmente pelo COREN/CRP/CREFITO responsável pela qualidade assistencial da unidade.
SAC: Serviço de Atendimento ao Cliente. Volume de reclamações. Meta: ≤2% dos atendimentos.
Tombamento / Verticalização: processo de migrar pacientes de rede credenciada externa para unidade própria da operadora. Gera saving e maior controle de custo e qualidade.
TUSS: Terminologia Unificada em Saúde Suplementar. Tabela de procedimentos utilizada na saúde suplementar para faturamento entre prestadores e operadoras.