Uma clínica TEA que não monitora seus indicadores toma decisões pela percepção. E percepção em saúde atrasa diagnósticos — tanto dos pacientes quanto da operação. Este artigo apresenta os indicadores essenciais, os valores de referência reais e o que fazer quando cada um sai do alvo.
Os indicadores abaixo são extraídos de operações reais de clínicas TEA em diferentes regiões do Brasil. Os valores refletem médias observadas — não metas teóricas. Use-os como parâmetro de comparação para a sua operação.
O ICH mede quantas sessões um profissional realiza por hora de jornada ativa. É o indicador central de produtividade clínica — e é frequentemente subutilizado em clínicas TEA.
| Especialidade | ICH Real (médio) | Meta | Status |
|---|---|---|---|
| Fonoaudiologia TEA | 0,9 | 1,5 | ⚠️ Abaixo da meta |
| Psicologia TEA | 0,9 | 1,5 | ⚠️ Abaixo da meta |
| Terapia Ocupacional TEA | 0,9 | 1,5 | ⚠️ Abaixo da meta |
O ICH de 0,9 significa que, por hora de jornada, o profissional realiza 0,9 sessões — ou seja, aproximadamente uma sessão a cada 67 minutos quando o plano terapêutico prevê sessões de 40 ou 50 minutos. O gap vem de janelas entre sessões, atrasos de pacientes, tempo de registro e ausências não confirmadas.
Em clínicas TEA, o absenteísmo não é apenas um problema operacional. É um problema financeiro e assistencial. Cada falta representa receita perdida, capacidade ociosa e interrupção do plano terapêutico da criança.
| Mês | Absenteísmo | Aproveitamento | Tendência |
|---|---|---|---|
| Janeiro | 44% | 56% | — |
| Fevereiro | 45% | 55% | ↑ piora |
| Março | 51% | 48% | ↑ piora (pico) |
| Abril | 44% | 56% | ↓ melhora |
| Maio | 41% | 60% | ↓ melhora |
| Junho | 32% | 69% | ↓ melhora |
| Julho | 29% | 63% | ≈ estável |
| Média geral | 41% | 58% | Tendência de queda com ação |
O período de março é crítico em clínicas TEA — coincide com recesso escolar, mudanças de rotina das crianças e menor disponibilidade das famílias. O planejamento de capacidade deve prever esse padrão sazonal.
Entender o que move os pacientes para dentro e para fora da clínica é fundamental para o dimensionamento de capacidade e para identificar gargalos operacionais.
| Motivo | % |
|---|---|
| Faltosos | 46% |
| Mudança de horário | 28% |
| Altas clínicas | 7% |
| Plano cancelado | 5% |
| Desistência | 3% |
| Migração | 3% |
| Motivo | % |
|---|---|
| Novos inseridos | 35% |
| Mudança de horário | 26% |
| Reinserção | 5% |
| SAC / NIP | 2% |
| Liminar | 2% |
| Migração | 2% |
Na tabela de saídas, 7% correspondem a altas clínicas. É importante compreender o que significa alta no contexto do TEA — porque é diferente de qualquer outra especialidade.
O Transtorno do Espectro Autista é uma característica do neurodesenvolvimento, não uma doença com cura. Portanto, a alta não é o encerramento definitivo do acompanhamento — é uma mudança de fase. O objetivo das intervenções é garantir autonomia, bem-estar e desenvolvimento de habilidades. Quando a pessoa demonstra estabilidade e independência funcional nessas dimensões, as terapias são reduzidas progressivamente.
As principais características da alta em TEA:
O dado mais relevante: 46% das saídas são por faltosos. Isso confirma que o absenteísmo não é apenas um indicador de produtividade — é o principal motor de rotatividade involuntária de pacientes. Em TEA, diferentemente de outras especialidades, quando um paciente falta no dia e horário agendado, não é simples encaixar outro paciente no mesmo slot — a criança precisa ter perfil compatível com aquele profissional, aquela sala e aquele formato. A vaga simplesmente fica ociosa.
Para os faltosos já identificados, o caminho correto é o engajamento ativo — não a remoção imediata. Entender o problema da família (logística, trabalho, transporte, condição socioeconômica) e tentar ajustar dentro das possibilidades da clínica. Só quando os ajustes não são viáveis ou quando a recorrência inviabiliza o tratamento é que a transferência de vaga para o backlog deve ser acionada.
No contexto do absenteísmo TEA, isso se aplica às famílias: uma família que não entende a importância da frequência não é negligente — não foi devidamente engajada. O engajamento começa na admissão, não quando a falta já ocorreu.
Esses dois indicadores medem a insatisfação do paciente/família de formas diferentes:
| Indicador | O que mede | Referência real | Meta |
|---|---|---|---|
| NIP (Notificação de Incidentes) | Problemas que geraram registro formal | 0,18% a 0,60% dos atendimentos | < 0,30% |
| SAC (Serviço de Atendimento) | Reclamações recebidas | 1,6% a 4,2% dos atendimentos | < 2% |
| 5 Estrelas / NPS | Satisfação ativa das famílias | 4,75 a 4,86 (em 5,0) | > 4,5 |
Um padrão observado: NIP e SAC tendem a cair quando o absenteísmo cai. Isso porque a principal queixa das famílias em clínicas TEA não é qualidade técnica — é disponibilidade e regularidade. Quando a clínica confirma consultas ativamente, mantém a frequência e comunica mudanças com antecedência, o NPS sobe mesmo sem mudanças na equipe ou na estrutura física.
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